terça-feira, 10 de setembro de 2013

A garota lê: Férias - Marian Keyes


Hi girl!!!

O segundo livro do Especial Marian Keyes é também o meu livro preferido da autora. Para mim, Férias é o mais divertido, real, desbocado e cheio de lições de vida. Quem gosta do gênero "Chick lit" (ficção dentro da ficção feminina, que aborda as questões das mulheres modernas), não pode perder essa dica.

Título: Férias
Título original: Rachel's Holiday
Autora: Marian Keyes
Gênero: Romance/Literatura Moderna
Editora: Bertrand Brasil
Tradução: Heloisa Maria Leal
560 páginas

Sinopse:
Rachel Walsh tem 27 anos e a grande mágoa de calçar 40. Ela namora Luke Costello, um homem que usa calças de couro justas. E é amiga - pode-se mesmo dizer muy amiga - de drogas. Até que a sua vida vai para o Claustro - a versão irlandesa da Clínica Betty Ford. Ela fica uma fera. Afinal, não é magra o bastante para ser uma toxicômana, certo? Mas, olhando para o lado positivo das coisas, esses centros de reabilitação são cheios de banheiras de hidromassagem, academia e artistas semifissurados (ao menos ela assim ouviu dizer). De mais a mais, bem que já está mesmo na hora de tirar umas feriazinhas. Rachel encontra mais homens de meia-idade usando suéteres marrons e sessões de terapia em grupo do que poderia supor a sua vã filosofia. E o pior é que parecem esperar que ela entre no esquema! Mas quem quer abrir as janelas da alma, quando a vista está longe de ser espetacular? Cheia de dor-de-cotovelo (o nome do cotovelo é Luke), ela busca salvação em Chris, um Homem com um Passado. Um homem que pode dar mais trabalho do que vale... Rachel é levada da dependência química para o terreno desconhecido da maturidade, passando por uma ou duas histórias de amor, neste romance que é, a um tempo, comovente, forte e muito, muito engraçado.

Sobre a autora:
Vide primeiro post do Especial Marian Keyes.


Sobre Férias:
"Fui acusada de toxicômana numa manhã de fevereiro, época em que vivia em Nova York."
Rachel Walsh (sim, uma das irmãs mais novas de Claire de "Melancia") é a protagonista do livro Férias. Uma irlandesa em solo americano, uma típica mulher de classe média, assalariada e cheia de dívidas. Rachel mora com Brigit, sua amiga desde a infância, e com ela divide aluguel, comida, bebidas e drogas.

As drogas são, de fato, o ponto principal do livro. Em Nova York todo mundo usa para se divertir, "cheirando socialmente"... pelo menos é isso que Rachel acredita. Cocaína de noite, para se divertir, desinibir; e depois um Valium para sanar o "bode", a sensação horrível que fica depois de uma farra de coca. Normal. Mas eis que um dia Rachel mistura muita coisa e acaba tendo uma overdose - não antes de escrever um poema muito suspeito, intitulado "Chega dessa vida". Ao encontrar a amiga inconsciente e na companhia do poema-carta-suicida, Brigit dá um basta, interna Rachel e a entrega à família Walsh. Papai e Mamãe Walsh decidem interná-la no Claustro, uma clínica de reabilitação na Irlanda. Rachel inicialmente se nega a ir, afinal de contas não é uma viciada... mas ela foi demitida, Brigit está fula da vida, Luke põe fim ao namoro e não há mais nada em NY que a prenda. O Claustro parece ser uma boa opção para umas férias, já que Rachel ouviu falar em várias celebridades que se internaram lá e essas pessoas costumam ter do bom e do melhor. Ela fantasia que a clínica é um spa, onde vai descansar, emagrecer, ficar linda novamente para humilhar Luke Costello, que ousou terminar com ela.

Acontece que o Claustro não é um resort relaxante para celebridades. É mesmo uma clínica para reabilitação de viciados em drogas, álcool, comida, jogos e tantos outros vícios. E Rachel literalmente pira quando descobre que o seu castelo de sonhos ruiu. Ela não é como os outros internos! Foi internada por causa de uma sucessão de equívocos. Será???

Com muito humor, uma pitada de erotismo (Luke Costello, O homem de verdade), muito palavrão e um pouco de baixaria, Rachel é obrigada a fazer psicoterapia, participar de reuniões dos Narcóticos Anônimos, se conhecer verdadeiramente e, enfim, assumir que tem um problema com drogas.

A narrativa de Férias é feita através do ponto de vista de Rachel e, por isso, o leitor acompanha toda a evolução da protagonista: ser confundida com uma toxicômana, os delírios, a indignação com os parentes, amiga e namorado... até o ponto em que realmente começa o tratamento da dependência. Rachel conquista com seu jeito meigo e afetuoso, bem como com suas variações de humor e disposição. Seu egoísmo, carência, sentimentos de inferioridade e superioridade alternados, convivendo lado a lado com sua vontade de amar e ser amada (principalmente). Existem momentos pesados no livro, sobretudo quando Rachel começa a descobrir quem ela verdadeiramente é e as atrocidades que cometeu por causa das drogas. Há momentos extremamente românticos, todos devidos à Luke Costello, um cara que pode não ser exemplo de sofisticação e bom gosto, mas de um coração enorme e caliente. Em várias partes o leitor ri sem parar com os devaneios de Rachel. Mas há também várias situações em que dá vontade de encher a personagem principal de tapas e pontapés pra ver se ela aprende a ser gente.

É um livro delicioso e surpreendente; com uma personagem principal meio mocinha meio vilã, um par romântico fofo, uma família bem maluca já apresentada em Melancia (mas muito mais pirada aqui) e muita informação sobre dependência química, rehab, psicoterapia e recomeço. Recomendo Férias para quem não tem frescura ou romantismo em demasia, para quem acredita em amor real (de família, amigos e namorado também), para quem sabe que a vida não é feita apenas de momentos bons e felicidade, e para quem sabe que há momentos ruins em que tudo parece dar errado, mas que esse tudo ainda tem jeito.

Marian Keyes  lutou contra o vício do alcoolismo, por isso escreveu com tanta propriedade essa obra. Depois de vencida a batalha, alcançou o sucesso como escritora. 


 Sweet kisses;




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